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06/04/2021

O Arado

A agricultura caracteriza a paisagem de Entre Rios e define o dia-a-dia de seus habitantes. As plantações estendem-se além do horizonte e da janela da casa onde moro, no Conjunto Europa da Colônia Vitória, posso acompanhar o ciclo e as cores das lavouras, do plantio à colheita. Também é comum encontrar nas ruas e estradas da colônia modernas e potentes máquinas agrícolas transitando, indo e vindo das plantações. Hoje, estas máquinas possuem cabines com ar condicionado e algumas delas são guiadas por GPS via satélite, para o melhor aproveitamento e cuidado com a área plantada.

Mas, como foi que tudo isso começou, o uso de máquinas e o rápido avanço da agricultura?

Na antiguidade, as pessoas faziam pontas em troncos de madeira e os utilizavam para fazer o buraco na terra onde seria colocada a semente, era um procedimento que agilizava o trabalho no campo. O surgimento do arado movido por tração animal representou um avanço significativo na agricultura, principalmente em países frios, onde a matéria orgânica leva mais tempo para se decompor. O trabalho com arado tinha, entre outras funções no preparo da terra para o plantio, a vantagem de acelerar este processo natural de decomposição.

No museu da Fundação Cultural Suábio-Brasileira, há uma variedade muito grande de objetos históricos, que estão sendo higienizados e preparados para a próxima exposição do museu. Entre os objetos, diversas ferramentas manuais para o trabalho com a terra: enxadas, picaretas, foices, gadanhas, grades, pás, arados. Estas ferramentas carregam marcas profundas de uso e desgaste pelo tempo, mas principalmente pelo trabalho manual pesado que era realizado pelos agricultores que as utilizaram.

Desde julho de 2020, faço parte da equipe do museu que está fazendo a higienização do acervo de objetos históricos dos Suábios do Danúbio. Tive a oportunidade de fazer a higienização de um arado especial: ele tem uma roda na frente com regulagem de altura, um engate para ser puxado por um animal ou dois, e duas abas reguláveis logo atrás da pá, para variar a largura do rego aberto na terra. Também pude perceber algumas marcas de uso que me chamaram a atenção: a alça de apoio do arado para a mão direita apresenta menos desgaste do que a alça para a mão esquerda; quando criança, lembro que observava meu pai e meu avô trabalhando com animais em arados parecidos com este, e eles usavam cordas para dirigir os animais. Se o agricultor que usou este arado era destro, então acredito que ele utilizava a sua mão direita para guiar seus animais através de uma corda, muitas vezes presa aos chifres ou orelhas. Um puxãozinho aqui, outro ali, são um sinal de comunicação entre o homem e os animais. A meu ver, isso pode explicar a forma de uso e o consequente desgaste de uma das alças deste arado.

Fazer a higienização deste arado foi uma experiência única que tive neste processo de revitalização do acervo do Museu Histórico de Entre Rios, por vários motivos. Eu mesma sou descendente de imigrantes alemães que trabalharam na terra, antes e depois da imigração; este belo arado, com tantos recursos diferentes, representa trabalho, progresso e empreendedorismo; hoje, a agricultura dispõe de recursos tecnológicos e científicos muito avançados, máquinas que plantam e colhem com ótimo rendimento, mas tudo começou com um simples arado como esse que eu pude tocar e cuidar. Tenho, por este arado e seus donos, um profundo sentimento de reverência e respeito, assim como pelo grande esforço físico que estas pessoas fizeram ao longo de toda a sua vida, produzindo alimento para suas famílias e as famílias de desconhecidos, deixando como herança sua prosperidade e seu exemplo para as futuras gerações.

Karin Kupas



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