Centro Cultural: Um Novo Olhar

17/09/2020

O atual cenário de pandemia chegou até nós de maneira inesperada, freou a humanidade de forma abrupta. Entre fórmulas sanitaristas e o apelo à sanidade, brotam frases de efeito nas campanhas do gênero “#fique em casa”. Verbos como, reavaliar, priorizar, reaprender, rever e similares tornam-se a tônica do momento.

Embalados nesse “enquanto”, “até as coisas passarem”, até voltarem “ao normal”, aproveito para trazer à memória o que pode nos dar esperança! Para isso, precisamos esquecer, por um momento, a pandemia, e voltar o olhar para a nossa realidade, com o intuito de visualizarmos nossos tesouros, às vezes, ocultos de tão explícitos, outros, tão usuais, que não percebemos mais. Portanto, observemos atentamente o Centro Cultural Mathias Leh, e analisemos alguns aspectos do seu real valor. Valor que não pode ser expresso apenas em números, pois, vai muito além de um bem material, representa a somatória de signos e significados de um povo, a multiplicação de sua cultura e saberes; tramas, cuidadosamente tecidas, dia a dia, enlaçando passado, presente e futuro, permeando gerações, cultivando hábitos e transformando vidas.

Há tantas joias dentro desse lugar! Salões repletos de relíquias, paredes cobertas de objetos de arte, imagens reais congeladas no tempo e neste espaço, especificamente, insistentemente lembrando o que não devemos esquecer: uma história comovente e suas eloquentes lições. Corredores, espelhos, salas, instrumentos morando nelas e prateleiras repletas deles. E, em meio a tantos tesouros, a joia mais preciosa, para onde tudo converge, e de onde tudo emana, o grande auditório, que entre palestras e conjecturas, permite que artes temporais sejam ouvidas e vistas a despeito da fugacidade do instante! Ele, de braços abertos, acolhe a música, dança e teatro, expressões artísticas ávidas por criarem asas e ecoarem nesse lugar mágico.

Muitas vezes, nossa percepção se acomoda pelo fato de, habitualmente, usufruirmos dele e nos escapa a noção de sua grandiosidade. Quem está de fora percebe o privilegio e a honra de ensaiar em um espaço como este. Exemplifico com a experiência vivida há algum tempo atrás, por ocasião de um ensaio com um pessoal talentoso e humilde da periferia de Guarapuava. Assim que pisaram no auditório era nítido em seus olhares, uma mistura de surpresa e encantamento. O mais falante exclamou estupefato: “eles têm um teatro só para eles!!”. Essa frase, marcante, sintetiza de forma simples, a verdadeira importância do auditório. Nesse instante meus pensamentos reportaram-me às aventuras, ou melhor, às desventuras em relação a isso. Recitais performáticos ensaiados em salinhas apertadas, imaginando as entradas e saídas do único auditório com piano da cidade (o que é um luxo, diga-se de passagem). Projeção de voz, marcação de cena, cronometragem de tempo, instrumentos, volume, absolutamente nada, nesse nível de ensaio irá corresponder ao que estará disponível e acontecerá no momento do espetáculo. O resultado certamente estará comprometido pela falta de estrutura de um ensaio decente. Muitos talentos deixam de ser aperfeiçoados e amadurecidos pela falta de um espaço razoável. A percepção auditiva, sensibilidade e criatividade permanecerão adormecidas em si mesmo. Quando não se tem acesso, quanta falta faz um espaço que possibilite e impulsione o potencial expressivo de cada um e de todos!

Por esta razão, e muitas outras, espero que nossas crianças estimem brincar lá fora não além do apreço pelo ensaio de dança, teatro e música. O desafio das apresentações, de tocar um instrumento diante da plateia, as intermináveis repetições sejam apreciadas no decorrer do processo e não somente no final. Que os critérios de avaliação considerem os subsídios adquiridos para a vida, o enfrentamento dos obstáculos, o amadurecimento pessoal, o desenvolvimento das virtudes e ética, um legado imaterial, de valor imensurável.

Que os sons que se misturam nos corredores, de aulas e ensaios, alimentem nossa alma sedenta por laços sensíveis, e a alquimia dos harmônicos e burburinhos, nesse espaço maravilhoso, seja o que arrebate nosso coração e encha nossa alma de emoção!

E que, no final da pandemia, no dia em que nos encontrarmos, presencialmente, no centro cultural, seja essa a festa em nós! O regozijo no olhar de quem soube ver as verdadeiras joias que ali brilham, cheias de significado e valor. Um espaço que abriga sonhos, costumes e tradições, uma história real, uma herança abençoada!


texto de Marcia Rickli, professora de piano da Fundação Cultural Suábio-Brasileira


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